De onde vêm os clássicos?

Ser designer significa antes de ser um detentor de um vasto repertório estético e visual, possuir uma visão geral de tudo que o rodeia. Economia, gestão, mercado, tendências, psicologia, cultura e tudo mais. Um generalista em vários conhecimentos que aparentemente são difusos, mas que juntos, dentro de um contexto, faz todo sentido. E principalmecomunicar esse sentido.

Atualmente o desafio de comunicar é ainda maior, pois, a informação está tão dinâmica que se torna mais complexo encontrar o eixo comum que represente o caminho da mensagem. O ponto x que vai causar identificação e aceitação por parte das pessoas. Estamos diante de um vasto mercado e uma sociedade multicultural.

Há algumas décadas, por exemplo, era mais fácil mensurar o repertório das donas de casa e os seus interesses. Na época o número de publicações era restrito e ate mesmo a televisão estava iniciando sua aparição. Hoje, se analisarmos esse contexto, são inúmeras as opções de publicações impressas, canais de TV, filmes e a ainda a por cima a toda poderosa da comunicação: a Internet. Com tantas opções assim tornou-se praticamente impossível rastrear um perfil com exatidão.

Cada vez mais, os comunicadores inteligentes recorrem ao que é mesmo inerente ao ser humano. Independente do passar das décadas, o apelo para vaidade, para o sexo, fome, sede, o desejo de segurança ou o instinto maternal, entre tantos outros, são exemplos de anseios físicos e psicologicos encontrados no bicho homem. Somando tudo isso, ao toque artístico de uma boa campanha pode-se conseguir uma grande adesão só porque falam o que já está gravado no subconsciente coletivo.

E por falar em instinto maternal, aquele que faz com que as crianças desde pequenas cuidem das suas bonecas como se fossem filhas é oportuno lembrar do case da campanha publicitária promovida pela Parmalat no final dos anos 90 que tornou-se um clássico: “Simplesmente porque somos mamíferos”. É um verdadeiro exemplo de como um apelo tão simples e primitivo poder nos sensibilizar tão profundamente. Apesar de tantos tropeços administrativos a marca ainda pode cobrar 30% a mais que os concorrentes graças ao efeito de sua campanha. “Parmalat é a única marca de leite conhecida de norte a sul do Brasil”, diz Nizan Guanaes, presidente da África. “Foi Top of Mind [indicador de marcas mais lembradas] por sete vezes mesmo fora da mídia”. Além disso, a empresa distribuiu 15 milhões de bichos de pelúcia e viu suas vendas crescerem 20%.

São exemplos como este que constatam que a comunicação é tão melhor quanto mais transcende o factual e encontra o universal para causar efeitos mais profundos. Certas coisas nunca mudam, pois está no âmago do ser humano. É nesse ponto que precisamos ser tocados. É assim que as propagandas imortais se consolidam. É assim que surgem os clássicos. E os clássicos nunca morrem.

Assistam o vídeo. Vale a pena!
 

 

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